"Reflexão sobre a morte e a efemeridade da vida"
GLOSSÁRIO - EPITÁFIO: vem do grego antigo, e significa, literalmente, "sobre o túmulo". É um texto inscrito em lápides e placas que buscam homenagear o defunto. Normalmente é redigido em versos, mas há exceções. Ex.: "aqui Jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino. "Texto escrito sobre o túmulo do escritor mineiro.
Inesperadamente, sem avisar, a morte chega. Sempre naquela hora em que menos imaginamos. Morrer é algo que nem quem vai, nem quem fica estão preparados para compreender. Uma hora estamos entre todos, outra hora estamos distante para sempre de todos.
Não há rico, pobre, inteligente, famoso, influente, político, empresário, trabalhador, mendigo, ninguém escapa desse encontro. Mais cedo ou mais tarde nos encontramos. Todos nós, alguns vivendo muito ou pouco, de causas naturais, sem culpa ou intencionalmente, mas ela nos encontrará um dia.
Você acabou de ser promovido, tem planos para sua carreira, fez uma consignação no Contra-Cheque para comprar um carro do ano ou a casa dos seus sonhos, precisa fazer algo que deixou pendurado de ontem, pagar um conta, deixar os filhos na escola, e no meio do trajeto da rotina desgastante, em uma tarde ensolarada; MORRE. Como assim? Perguntam atônitos os que ficam. Aí ficam algumas indagações sem respostas: E a promessa de ensinar o filho a andar de bicicleta? A promessa da viagem com esposa? E aquele sorvete com os filhos que foi remarcado por causa da reunião inadiável?. É a morte, ela chegou! De que valeram tantos anos de dedicação ao trabalho árduo? De que valeu acumular tanto dinheiro, fama, influência e poder?
Há ainda os que escolhem a hora de partir, movidos irracionalmente pela depressão, decepção, desilusão, sem a felicidade que o dinheiro não comprou. Muitas vezes abastados economicamente de dinheiro mas vazio de felicidade, que é a essência que move nossas vidas. Aí todo mundo sempre faz a mesma pergunta: POR QUE? Como se isso fosse ajudar a explicar alguma coisa, como se a morte tivesse uma causa apenas.
Há uma mistura de fatores que deixam mais dúvidas que lembranças nesses casos. Mas a ordem natural das coisas ia tão bem na sua vida: Emprego, relacionamento, amor, casamento, filhos, lar, estabilidade. Em um piscar de olhos tudo se esvai. Num acidente na esquina, num AVC na flor da idade de uma vida sedentária ou não, numa doença que ninguém esperava ou nas mãos de um assaltante. Sempre fazemos a mesma pergunta: “POR QUE”?
Morrer é uma interrupção abrupta que nós nunca estaremos prontos para entender. Obriga você a se retirar no melhor da vida sem sequer se despedir de ninguém, sem ter construído a casa dos teus sonhos, sem dar tempo de rever aquele filme que te emociona ao lado de quem você ama. Antes dela chegar você deixou em casa a sandália embaixo da cama, a escova de dente naquele lugar de sempre, e também algumas contas a pagar. Como a vida nos apronta uma pegadinha como essa?
Você segue sem saber se vai chegar o seu destino, começa um projeto sem ter a certeza que vai concluí-lo, diz que é feliz, mas esconde a infelicidade atrás de um “sorriso pré-moldado”. Malha todo dia e morre numa segunda de manhã.
Queremos sempre viver bem a vida, mas não temos prioridades. Na correria não conseguimos distinguir trabalho, lazer, tempo pra família. Morrer desfaz a ordem natural dos nossos planos. Morrer é um momento inescapável que marca nossa saída deste plano e petrifica ou não nossas lembranças a partir daí. Quem vive esperando o futuro pra ser feliz, perde a felicidade de cada momento da vida e do presente, preso às amarguras do passado e impedindo a felicidade do amanhã.
Não deixe que os traumas do passado lhe impeçam de agarrar as novas oportunidades de ser feliz que a vida lhe dá. Esse é o grande mistério da vida: A capacidade de recomeçar, de se recompor, e seguir adiante depois de cada decepção. O melhor mesmo é fazer agora, é começar agora, ou mesmo recomeçar, pois deixar pra amanhã não tem garantia nenhuma. A vida bem vivida não é aquela orientada pela aparência, dinheiro, aquisições, status social ou nível intelectual, e sim pela busca da paz interior nos pequenos detalhes. Para aproveitar melhor a vida, não espere se dar conta que aquilo que era rotina se transformou em lembrança.
Por isso viva tudo que há para viver. Deixe marcas. Aí façamos uma pergunta: Será que vamos deixar boas lembranças? Ou simplesmente seremos lembrados como aquele que “já foi tarde”. Dessa vida nada podemos levar, mas podemos deixar. Então deixei sementes, sejam elas de alegria, paz, amor, carinho ou dedicação. Deixe boas histórias para seus filhos, parentes e amigos contarem sorrindo aos outros, a seu respeito.
Entre tudo isso, nunca deixe de amar, aproveitar cada momento como se fosse o último, deixar boas impressões, apertar a mão do próximo, abraçar, brincar feito moleque, e sorrir, sorrir muito mesmo. Desapegue-se de tudo que pode enegrecer o seu coração e tornar a vida mais pesada do que ela já é. Grafar as lembranças ruins no ferro e as boas lembranças na areia da praia é o que torna muitas vidas vazias, por viverem relembrando o que deveriam esquecer e esquecerem o que deveriam relembrar. O que fica na vida não é o ponto de partida, nem o ponto de chegada, são as sementes que plantamos ao longo caminho. Perdoe! Viva, não apenas exista.
Por Rafaella Sabino: De onde viemos e para onde vamos são dois grandes questionamentos que perseguem a humanidade, a filosofia e a ciência há séculos. E, para muitos, são incógnitas que só tem resposta nas religiões. A fé funciona como um ponto de apoio para saber lidar com dúvidas e, principalmente, com as perdas. A relação entre morte e vida sempre foi e será muito estreita. Mesmo com dogmas distintos, todas as religiões pregam coisas boas como o amor ao próximo e a paz. E viver dessa forma garante uma boa partida para cada um, independente da crença. Hoje, na última matéria do especial intolerância Religiosa, vamos conhecer a visão de quatro crenças sobre a temática, morte e vida. Catolicismo: o céu começa aqui na Terra; ter empatia e amor ao próximo são alguns preceitos pregados pelo catolicismo para serem colocados em prática por seus fieis e os tornarem verdadeiros merecedores do céu. Para o Pe. Pedro Cabello, reitor do Santuário Mão Rainha, em Ouro Preto, Olinda-PE, a fé deve transcender os muros da igreja. Não podemos mais agir como antigamente, em que a fé era vivida apenas dentro da igreja. Temos que levá-la conosco para a vida cotidiana, pois essa será a última prova que vamos passar e Jesus vai nos questionar, afirma. O Padre alerta que muitas vezes o pedido de ajuda está mais próximo do que achamos. Basta olhar ao nosso redor. As vezes o problema está dentro de casa ou em nossa vizinhança. Quantas pessoas em nosso bairro dependem dos outros... questiona. Os ensinamentos católicos dizem que a forma como se vive na terre rege como será o pós morte. Os seres morrem apenas como se vive na terra rege como serão pós morte. Os seres morrem apenas uma vez e são julgados por seus atos na Terra. A partir disso, vão para o céu, purgatório ou inferno. O religioso afirma que esse é um tema tabu entre os seguidores do catolicismo, Cada vez mais nos afastamos do fenômeno Morte. Mas toda a nossa vida e fé se encaminham para o momento da partida para a casa definitiva. Temos que tomar consciência de que a vida do ser humano, por ser criação, tem um começo e um fim. Não acreditamos em reencarnação, afirma.
Espiritismo: A morte é apenas uma passagem; O livro dos espíritos, publicado em 1857, é considerado o marco de fundação do Espiritismo. A obra escrita pelo educador e tradutor Frances Allan Kardec, reúne mais de mil princípios doutrinários da religião. Os praticantes acreditam que os seres humanos são espíritos reencarnados na Terra em busca de constante evolução. O livro é composto de perguntas e respostas que Kardec fez aos espíritos sobre temas universais como morte, vida, relações familiares, dentre outras. A religião acredita que Deus criou os espíritos sem discernimento do bem e do mal. Quando estes vem a terra passam por provações e devido ao livre-arbítrio, tem o direito de escolher como querem viver. Coma a morte física, o espirito segue na jornada de evolução. Os que praticam o mal recebem novas chances, por meio da encarnações, e os que faze o bem, evoluem mais rapidamente. Para Alan Kardec, o verdadeiro espirita é aquele que luta para domar as suas mas tendências procurando ser melhor a cada dia, afirma Frederico Menezes, estudioso, que ja lançou 14 livros relacionados ao espiritismo e vija o Pais realizando palestras sobre o assunto há 37 anos. Reencarnações O espiritismo matou a morte. Tirou a visão macabra que os estudiosos tinham dela Mostrou que amorte é apenas uma passagem, finaliza.
Protestantismo: A vida à luz das escrituras; O Protestantismo surgiu no século XVI, a partir uma ruptura com a Igreja Católica, feita pelo Monge Martinho Lutero. Este criou um documento com 95 teses que demonstravam as suas insatisfações diante da religião. Dentre os m, estavam a venda de indulgências, a adoração de imagens, missas em latim, celibato e a autoridade do Papa. Depois, vieram muitas outras subdivisões. Mas, assim como o Catolicismo, os protestantes são cristãos e também como a pessoa deve viver em família, no trabalho, em sociedade, nos relacionamentos, em todas as áreas. A bíblia é o nosso manual, afirma o Pastor Elcias Martins, da Igreja Batista do Barro, em Recife-PE. Sobre a morte, os religiosos também buscam respostas nas escrituras Segundo o pastor Elcias, o fenômeno foi inserido aos humanos por causa do pecado de Adão. Tal crença pode ser encontrada no livro Romanos 5.12, que diz. Como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, afirma a publicação. Os protestantes não acreditam em vida após a morte, passou a todos os homens, afirma s julgados por Deus e podem ir ao céu ou ao inferno. E a questão de ir para um ou o outro está simplesmente na fé ou na rejeição do evangelho, complementa.
Candomblé: da iniciação a Egun; O Candomblé é uma religião de ordem iniciática, e como tal, tem várias determinações que direcionam a vida dos filhos de santo (denominação dos praticantes) a maioria dos ensinamento e passada de geração para geração de forma oral, tanto pelos Ensinamentos Sarados de Tfá, dividido em 236 partes, que contém os princípios éticos da religião quanto pelos mitos dos 16 orixás, que são histórias contadas e recontadas, que sempre apresentam uma lição. Os orixás são divindades das religiões de matriz africana eles representam as forças da natureza, bem como virtudes necessidades dos seres vivos. Os candomblecistas devem viver de acordo com os princípios das divindades sagradas, principalmente daquela que o rege. Por exemplo, Ogum tem como principio a verdade. Há um interdito de menir para seus filhos e filhas. Muito provavelmente, aqueles que não seguem esse caminho serão punidos pelo próprio Orixá, conta a Yalorixás Denise Botelho, professora Associada do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernanbuco. Os praticantes também devem seguir as orientações dadas pelos zeladores de Orixás, Babalorixás (pais de Santo) Yalorixás (mães de Santo), complementa.Para o Candomblé, não existe uma concepção de céu ou inferno. Após a morte física, o Egun(Alma do falecido) é encaminhado pelos Orixás Omulú e Iansã Igbale até o Orun (mundo espiritual). Ali, ele vai permanecer junto a outros seres ancestrais, orixás e guias. A morte é demarcada com a cerimonia de Axexê, na qual os feitos e as boas coisas realizada das pelos iniciados são glorificados. Se criarmos bons feitos quando vivos, seremos lembrados após a morte, afirma Denise. Uma volta à massa cósmica desse corpo terreno, mas o espirito continua vivo no coração de seus descendentes, finaliza.
Fé: independe da religião; É impossível afirmar quantas religiões existem no mundo. Somente no Brasil, de janeiro de 2010 até Fevereiro de 2017, surgiram 20 novas organizações religiosas por dia, segundo dados da Receita Federal. E anda há aquelas pessoas que tem mais de uma crença. De acordo com estudo divulgado no XI Congresso de Medicina e Espiritualidade (Mednesp), de mil pessoas entrevistas, 44% se consideram seguidoras de duas ou mais religiões diferentes que tem hoje. Grandes ou pequenas, crendo em um Deus único ou em vários, a verdade é que mesmo com preceitos distintos, as religiões existe para esclarecer dúvidas e guiar seus seguidores espiritualmente pelos melhores caminhos da vida. independente da escolha, o importante é se sentir preenchido e confiante. Fé, morte, vida, Religião protestantismo, protestante, cristianismo, cristão, candomblé, espirita, espiritismo catolicismo, católico, mãe de santa , yalorixá Jesus Allan Kardec, bíblia céu.
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Inesperadamente, sem avisar, a morte chega. Sempre naquela hora em que menos imaginamos. Morrer é algo que nem quem vai, nem quem fica estão preparados para compreender. Uma hora estamos entre todos, outra hora estamos distante para sempre de todos.